O Tempo

"O tempo! O passado! Aí algo, uma voz, um canto, um perfume ocasional levanta em minha alma o pano de boca das minhas recordações... Aquilo que fui e nunca mais serei! Aquilo que tive, e não tornarei a ter! Os mortos! Os mortos que me amaram na minha infância. Quando os evoco toda a alma me esfria e eu sinto-me desterrado de corações, sozinho na noite de mim próprio, chorando como um mendigo o silêncio fechado de todas as portas."
........................................................................................................................ Fernando Pessoa

novembro 05, 2014

Tempo

O tempo …
Esse espaço onde mergulho
Num sono leve, inseguro
Trazido ao sabor do vento

Do tempo …
Já passado sinto o abraço
Que guardo no meu regaço
Em jeito de doce alento

No tempo …
Que romperá cada aurora
Sonho viver cada hora
Como o mais alto momento !


novembro 04, 2014

Cuidando a memória

Nos últimos anos de vida de meu pai, não poucas vezes dei por mim a ouvi-lo e a fixá-lo como se fosse a última vez. Esses momentos entraram na minha memória e são hoje a reserva a que recorro sempre que o recordo. Curiosamente, há dias li um artigo de Miguel Esteves Cardoso,  que partilhando da mesma opinião, vai exactamente ao encontro da forma como vou arquivando momentos e imagens que selecciono das pessoas que amo, para um dia saborear num espreguiçar de saudade...

 “ Comportamo-nos como se as pessoas de quem gostamos fossem durar para sempre. Em vida não fazemos nunca o esforço consciente de olhar para elas como quem se prepara para lembrá-las. Quando elas desaparecem, não temos delas a memória que nos chegue. Para as lembrar, que é como quem diz, prolongá-las. A memória é o sopro com que os mortos vivem através de nós. Devemos cuidar dela como da vida. Devemos tentar aprender de cor quem amamos. Tentar fixar. Armazená-las para o dia em que nos fizerem falta …”