O Tempo

"O tempo! O passado! Aí algo, uma voz, um canto, um perfume ocasional levanta em minha alma o pano de boca das minhas recordações... Aquilo que fui e nunca mais serei! Aquilo que tive, e não tornarei a ter! Os mortos! Os mortos que me amaram na minha infância. Quando os evoco toda a alma me esfria e eu sinto-me desterrado de corações, sozinho na noite de mim próprio, chorando como um mendigo o silêncio fechado de todas as portas."
........................................................................................................................ Fernando Pessoa

abril 14, 2014

Conceitos que o mar levou ...





Quando analisamos certas ilustrações que reflectem a relação das pessoas com as praias há 100 anos atrás, não podemos deixar de sorrir, como aliás sempre o fazemos nas mais diversas situações que fazem parte do nosso quotidiano, ao compararmos com as práticas e conceitos defendidos pelos nossos antepassados. Passeavam-se junto ao mar bem vestidos e calçados, com o mesmo aprumo com que passeavam num jardim. Com alguns riscos com certeza, pois a qualquer momento surgia uma onda mais atrevida que se estendia com ligeireza, obrigando a um nervoso levantar de saia das donzelas, mostrando um pouco mais do que lhes era permitido. Mas o prazer de entrar na água desafiava-os, e muitas vezes acabavam por tomar banho vestidos, ou em roupa interior. É por volta de 1910 que surgem os primeiros modelos de fatos de banho de homem e senhora.
Foi um desaforo para os mais conservadores, que não perderam tempo em legislar sobre a matéria, quando
 "30 anos depois" a moda chegou a Portugal !
E para que não se evocasse desconhecimento da lei, o decreto-lei era exposto à entrada de algumas praias (segundo alguns registos, Figueira da Foz é um exemplo), e as capitanias vigiavam a observância da lei.


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