O Tempo

"O tempo! O passado! Aí algo, uma voz, um canto, um perfume ocasional levanta em minha alma o pano de boca das minhas recordações... Aquilo que fui e nunca mais serei! Aquilo que tive, e não tornarei a ter! Os mortos! Os mortos que me amaram na minha infância. Quando os evoco toda a alma me esfria e eu sinto-me desterrado de corações, sozinho na noite de mim próprio, chorando como um mendigo o silêncio fechado de todas as portas."
........................................................................................................................ Fernando Pessoa

outubro 21, 2012

1ª Jorna



Tinha doze anos quando entrei em casa com a minha primeira jorna.
Na minha geração os aprendizes só começavam a ser retribuídos pelo seu trabalho depois de já serem capazes de executar pequenas e simples tarefas e assim compensarem os mestres do tempo que lhes era dedicado no ensino da profissão. Era uma regra quase comum a  todas as profissões que careciam de um bom período de aprendizagem. Mas nas gerações anteriores, contava o meu pai, os mestres eram pagos para ensinar, o que dificultava a vida dos mais pobres que muitas vezes não podiam pagar para que os filhos aprendessem um ofício.
Naquele sábado quando a mestra efectuou o pagamento às costureiras, também me estendeu a mão com 2 escudos. Era o que eu iria arrecadar semanalmente. Para os meus pais significou que tinha começado a ser útil à mestra, mas para mim o facto teve pouco significado, ainda não dava valor ao dinheiro... afinal eu não passava de uma criança...




2 comentários:

Arco Iris disse...

Recordações que num sentido é bom recordar.Não passávamos de ser crianças, mas não nos trouxe nada de mal.
Gostei de ver os escudos.
Bjs:)))

Notas Soltas disse...

É sempre com ternura que recordo a inocênca desse passado longínquo.