O Tempo

"O tempo! O passado! Aí algo, uma voz, um canto, um perfume ocasional levanta em minha alma o pano de boca das minhas recordações... Aquilo que fui e nunca mais serei! Aquilo que tive, e não tornarei a ter! Os mortos! Os mortos que me amaram na minha infância. Quando os evoco toda a alma me esfria e eu sinto-me desterrado de corações, sozinho na noite de mim próprio, chorando como um mendigo o silêncio fechado de todas as portas."
........................................................................................................................ Fernando Pessoa

abril 21, 2012

Do muro ao mar



Ao entrar no Facebook a minha atenção ficou presa a esta foto enquanto as imagens se atropelavam nas recordações que me vinham à memória.
Uma ruazita muito estreita conhecida pela Rua da Barroca, onde os poucos carros que existiam na vila quase não conseguiam passar. Muito pouco por lá  acontecia, o que para mim era como um prolongamento do quintal da minha avó. Muitas vezes sózinha, ali corri, joguei à macaca e saltei à corda, acabando sempre, esquecendo tudo à minha volta, sentada no muro dos vizinhos, rendida pela beleza da paisagem que se estendia a meus pés, que eu desde muito cedo aprendi a saborear – aquela vasta baía azul rematada pela faixa de areia branca e fina orlada de espuma como a renda de um lençol. Ainda hoje gosto de lá passar para me encontrar com pedaços da minha infancia que por ali deixei.

2 comentários:

Arco Iris disse...

È caso para se dizer que também se é
feliz, vivendo de recordações.
E as de infância são muito boas.
Beijinhos

cila disse...

Na verdade é do presente que dependemos mas andamos muitas vezes distraidas ao ponto de nos esquecemos de saborear bem o que o momento nos oferece. E não são poucas as vezes que só mais tarde ao recordarmos vamos retirar algo de bom que nos passou despercebido.
Beijinho
Cila