O Tempo

"O tempo! O passado! Aí algo, uma voz, um canto, um perfume ocasional levanta em minha alma o pano de boca das minhas recordações... Aquilo que fui e nunca mais serei! Aquilo que tive, e não tornarei a ter! Os mortos! Os mortos que me amaram na minha infância. Quando os evoco toda a alma me esfria e eu sinto-me desterrado de corações, sozinho na noite de mim próprio, chorando como um mendigo o silêncio fechado de todas as portas."
........................................................................................................................ Fernando Pessoa

janeiro 13, 2012

Ponto Cruz


Aos sete anos comecei a aprender a bordar a ponto cruz. Lembro-me sempre dos dias que a mestra resolvia levar o grupo a passar a tarde na praia, e aproveitando a sombra das embarcações que se encontravam encalhadas, ali ficávamos sentadas bordando perante o olhar admirado de quem passava e me via tão pequena trabalhando ao lado das outras, o que quase sempre dava motivo às mães olharem para as filhas e dizerem: – Vejam este exemplo! - Ouvindo isto, levantava a cabeça do trabalho e quando o meu olhar se cruzava com o delas, baixava a cabeça de vergonha pela a humilhação que as fazia passar, pois o que eu queria mesmo era brincar nas férias, como qualquer criança da minha idade.


1 comentário:

Arco Iris disse...

Como tudo mudou !.....
E estas ainda bem .Penso que há alturas para tudo, principalmente para se sêr " criança ".
Bjs
Paula