O Tempo

"O tempo! O passado! Aí algo, uma voz, um canto, um perfume ocasional levanta em minha alma o pano de boca das minhas recordações... Aquilo que fui e nunca mais serei! Aquilo que tive, e não tornarei a ter! Os mortos! Os mortos que me amaram na minha infância. Quando os evoco toda a alma me esfria e eu sinto-me desterrado de corações, sozinho na noite de mim próprio, chorando como um mendigo o silêncio fechado de todas as portas."
........................................................................................................................ Fernando Pessoa

agosto 21, 2011

Ricos pobres, pobres ricos




A falta de preparação de muitos pais levavam estes a delegar nos professores a transmissão de valores que iriam complementar a nossa personalidade.
A noção de humildade, de orgulho e de vaidade, da mentira, da inveja e da preguiça e outros, eram um exemplo bem aproveitado através de textos muito bem escolhidos, alguns deles  em forma de fábula para melhor prender a nossa atenção.
Também a imagem dos pobres e dos mendigos era sempre realçada como figuras nobres da sociedade, enquanto que os ricos eram apontados pela sua avareza. Ser pobre era quase  interpretado como sendo uma dádiva do Céu.
E assim os alunos mais necessitados não se sentiam   humilhados por receberem o benefício de uma refeição na cantina, ou na distribuição de algum material escolar que não pudesse ser suportado pelos pais. E pouco a pouco, íamos crescendo  ao lado uns dos outros sem quase nos apercebermos das diferenças profundas e que eram disfarçadas pelo  uso obrigatório de uma  bata da mesma cor, escondendo as roupas remendadas de uns, ao lado das boas roupas dos outros.

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