O Tempo

"O tempo! O passado! Aí algo, uma voz, um canto, um perfume ocasional levanta em minha alma o pano de boca das minhas recordações... Aquilo que fui e nunca mais serei! Aquilo que tive, e não tornarei a ter! Os mortos! Os mortos que me amaram na minha infância. Quando os evoco toda a alma me esfria e eu sinto-me desterrado de corações, sozinho na noite de mim próprio, chorando como um mendigo o silêncio fechado de todas as portas."
........................................................................................................................ Fernando Pessoa

agosto 23, 2011

A praia onde não brinquei



A baía, caracterizada pelas suas águas serenas e sem correntes, era optima para as crianças, o que fazia da sua praia uma das mais procuradas no Alentejo. A vila saía da sua monotonia e abria-se ao turismo durante os três meses de verão.
Mas como quase sempre acontece às pessoas que vivem junto a certos benefícios que a natureza lhes oferece, a sensação que recebem no dia a dia torna-se tão rotineira que quase acabam por perder a capacidade de os apreciar. E disso a minha mãe não era excepção. Raramente me levava à praia, ao invés de tantas famílias que faziam alguns sacrifícios para vir de bem longe oferecer aos filhos uns dias de praia, crentes que seria muito bom para a sua saúde.
Lembro-me da minha tristeza quando debruçada da varanda ficava seguindo de longe as crianças da minha idade brincando junto à maré.

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