O Tempo

"O tempo! O passado! Aí algo, uma voz, um canto, um perfume ocasional levanta em minha alma o pano de boca das minhas recordações... Aquilo que fui e nunca mais serei! Aquilo que tive, e não tornarei a ter! Os mortos! Os mortos que me amaram na minha infância. Quando os evoco toda a alma me esfria e eu sinto-me desterrado de corações, sozinho na noite de mim próprio, chorando como um mendigo o silêncio fechado de todas as portas."
........................................................................................................................ Fernando Pessoa

julho 15, 2011

Ana

 

Estamos em 1948, aqui encontro a razão do meu gosto pelos anos pares, 3 anos depois da II Guerra Mundial  ter terminado. E muito embora o país não tivesse estado directamente envolvido na guerra, a inflação bateu-lhe à porta devido à carência de bens alimentares, facto que muito afectou as pequenas povoações como Sines, vila onde nasci a 11 de Outubro desse mesmo ano.
A minha mãe gostava que eu tivesse usado o nome de Ana, nome da minha avó materna, mas a regra determinava que o privilégio da escolha do nome  pertencia à madrinha.
Quando na escola aprendi a copiá-lo  ainda não sabia que nunca iria aprender a conviver com ele. Sobreviveu a afeição à minha madrinha por quem eu sempre nutri uma doce ternura, que ela soube estimar  e retribuir.
A filha nasceu! Trocámos olhares e chamei-lhe  Ana ... e ela gostou !

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