O Tempo

"O tempo! O passado! Aí algo, uma voz, um canto, um perfume ocasional levanta em minha alma o pano de boca das minhas recordações... Aquilo que fui e nunca mais serei! Aquilo que tive, e não tornarei a ter! Os mortos! Os mortos que me amaram na minha infância. Quando os evoco toda a alma me esfria e eu sinto-me desterrado de corações, sozinho na noite de mim próprio, chorando como um mendigo o silêncio fechado de todas as portas."
........................................................................................................................ Fernando Pessoa

julho 27, 2011

Vento do sul


Em dias de mau tempo os pescadores não podiam sair  para a pesca e o meu avô aproveitava para remendar as redes.
Sentada a seu lado, e  sem  que  me  pedisse, ia enchendo as agulhas com o fio de rede para o ajudar, trauteando com ele alegres  cantigas no aconchego da sua companhia, enquanto o vento do sul assobiava  lá fora anunciando um rigoroso dia de inverno.


julho 24, 2011

Infância



Nos meus primeiros anos vivi com os meus pais em casa dos meus avós paternos, local onde nasci. Quando tento lembrar-me de alguns pormenores da minha infância surge-me em primeiro lugar a sua imagem , e pelo conforto que sinto quando os recordo, eu não tenho qualquer dúvida em afirmar que fui uma neta feliz.

julho 15, 2011

Ana

 

Estamos em 1948, aqui encontro a razão do meu gosto pelos anos pares, 3 anos depois da II Guerra Mundial  ter terminado. E muito embora o país não tivesse estado directamente envolvido na guerra, a inflação bateu-lhe à porta devido à carência de bens alimentares, facto que muito afectou as pequenas povoações como Sines, vila onde nasci a 11 de Outubro desse mesmo ano.
A minha mãe gostava que eu tivesse usado o nome de Ana, nome da minha avó materna, mas a regra determinava que o privilégio da escolha do nome  pertencia à madrinha.
Quando na escola aprendi a copiá-lo  ainda não sabia que nunca iria aprender a conviver com ele. Sobreviveu a afeição à minha madrinha por quem eu sempre nutri uma doce ternura, que ela soube estimar  e retribuir.
A filha nasceu! Trocámos olhares e chamei-lhe  Ana ... e ela gostou !