O Tempo

"O tempo! O passado! Aí algo, uma voz, um canto, um perfume ocasional levanta em minha alma o pano de boca das minhas recordações... Aquilo que fui e nunca mais serei! Aquilo que tive, e não tornarei a ter! Os mortos! Os mortos que me amaram na minha infância. Quando os evoco toda a alma me esfria e eu sinto-me desterrado de corações, sozinho na noite de mim próprio, chorando como um mendigo o silêncio fechado de todas as portas."
........................................................................................................................ Fernando Pessoa

junho 07, 2011

As minhas paixões



Os últimos anos da minha vida profissional foram vividos com alguma ansiedade de ver chegar o dia de colocar na minha pasta os objectos pessoais que me observavam dos diversos angulos da minha mesa de trabalho, e que eu guardo com muito carinho pois são testemunho das muitas batalhas que travei, e que como vencida ou vencedora, saí sempre de cabeça erguida.
Esse dia chegou!
E eu despedi-me de tudo e de todos  com um  sorriso triste, direi mesmo, muito amargo. Para trás deixava um mundo maravilhoso onde cresci ao longo de 40 anos de trabalho e de muita dedicação.
 
Mas eu tinha pressa de partir...
O receio de não ter tempo de me encontrar comigo a sós para me espreguiçar na leitura de um poema, na contemplação do mar, ou na magia do som  das notas arrastadas pelas teclas do piano, deixava-me muito inquieta,  como se tudo na minha vida estivesse ainda por fazer…




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